Havia um tempo em que se investia em CONSCIENTIZAÇÃO!

Escrito por abracopel 24 de Abril de 2018 0 comentários visto 623 vezes

 

Esta prática, infelizmente, está ficando para trás, hoje é mídia de massa.

Edson Martinho

 

Em janeiro de 2001 recebi um convite para trabalhar no Procobre – Instituto Brasileiro do Cobre, uma entidade internacional que visa fomentar o uso do cobre através da divulgação de suas propriedades e aplicações, foi a partir de então que comecei a vivenciar mais o mundo do chamado Terceiro Setor.

Em 2005, já trabalhando como consultor do Procobre, e com algumas mudanças de diretrizes, decidi, com alguns entusiastas pela segurança com a eletricidade fundar a ABRACOPEL – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade. Como a fundação da ABRACOPEL se deu com pessoas físicas e totalmente voluntárias, naturalmente não havia dinheiro para as ações, então recorremos às empresas de materiais elétricos, que tinham como objetivo atender aos profissionais da área para apresentar seus produtos, suas novidades e, principalmente, seus conceitos de segurança.

Foi então que encontramos profissionais que entendiam que o mercado precisava se unir em torno de uma causa e, portanto, apoiar uma entidade como a ABRACOPEL era imprescindível, pois com a isenção que a associação se propôs desde seu nascimento e que a mantém até hoje, as empresas conseguiriam moralizar o mercado em torno de produtos de qualidade e, consequentemente, suas marcas que, preocupadas com esta qualidade, também seriam as escolhidas. Uma receita perfeita, “aumenta-se o bolo e todos comem mais e melhor”.

Durante um bom tempo foi assim. Nossos seminários levavam informação de qualidade, melhorando o nível do profissional, que por sua vez convencia seu cliente que uma instalação elétrica deveria seguir normas e usar produtos de qualidade. O mercado foi melhorando, as empresas que não se preocupavam com a qualidade de seus produtos foram sucumbindo a um mercado mais seletivo e as instalações começaram a melhorar, em contrapartida, as empresas de qualidade ganharam um mercado maior e puderam dividir entre si sem perder em números.

Após mais de uma década, a ABRACOPEL continua este trabalho e o mercado vem aumentando cada vez mais. Com o apoio das empresas de qualidade (o principal requisito para fazer parte do nosso rol de apoiadores), estamos há mais de uma década na estrada, já tendo conscientizado mais de 30 mil profissionais em mais de 300 eventos. Mas, uma preocupação vem tomando conta de mim: os profissionais das empresas de qualidade, que buscavam esta conscientização do mercado, estão saindo ou mudando de área, e os novos profissionais que estão entrando não possuem esta visão de investir em ações de marketing institucional, pelo menos é o que tenho visto.

Ao longo destes 13 anos de ABRACOPEL, percebi esta mudança. As empresas continuam nos apoiando, pelo menos a maioria, mas os profissionais que definem onde a verba será aplicada estão às voltas com outras prioridades, entre elas a de vender “hoje”, ou a de criar “seguidores digitais”. É fato que o mercado está voltado para este tipo de comunicação, a digital, em que você investe uma soma grande de dinheiro e esforços para ter seguidores, mostrar números para seus superiores e conversar com milhares de usuários pelo vídeo, por e-mail ou pela rede social. Quanto mais seguidores eu tiver, mais compartilhamento eu terei e mais minha marca será conhecida.

Mas ficam duas perguntas: você está conseguindo converter uma parcela significativa destes seguidores em compradores dos seus produtos ou da sua marca? A segunda pergunta: você tem conversado com o profissional olhando no olho dele para saber se ele compra seus produtos pela marca ou pela propaganda? Posso ser um saudosista, mas tenho estudado este mundo digital também. Como eu tenho idade suficiente para ter passado pela fase pré internet, e trabalho com comunicação desde 2001, posso dizer que nada é mais importante do que o olho no olho. Recentemente, acompanhei um profissional que há tempos defende uma marca de dispositivos de proteção. Este ano, ele foi convidado pela empresa a visitar a fábrica. A alegria dele e o trabalho que ele fez para essa marca não tem os milhares de reais gastos em seguidores que pague…. .

Pensem nisso!

 

 

Edson Martinho é Engenheiro Eletricista pela Universidade de Mogi das Cruzes, com pós graduação em Marketing e Docência do ensino superior, é fundador e Diretor Executivo da ABRACOPEL – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, Presidente da ABRAEL – Associação Brasileira de Eletricistas, Consultor de empresas, palestrante, instrutor, colunista, coordenador da comissão de estudos 03.064-12 e participante da revisão da norma ABNT NBR5410/2004.

 

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