Alguém viu um DR por aí?!

Escrito por abracopel 14 de fevereiro de 2017 0 comentários visto 788 vezes

Olá. Permita-me contar uma coisa que tem acontecido muito comigo.

Muitas vezes em que emito um laudo de instalações elétricas e aponto como não-conformidade a ausência de disjuntor ou interruptor diferencial residual (DR), sempre surge o mesmo questionamento: – “Mas o que é o disjuntor DR?” “Para que serve isso?”

Pela expressão, percebo que eles imaginam que esse tal de DR é uma máquina futurista, enorme, com o funcionamento super complicado e, principalmente, um investimento caríssimo.

Isso é tão frequente, que agora já coloquei um texto padrão nos meus laudos. Quando aponto como não-conformidade a ausência do disjuntor DR, no parágrafo seguinte há a explicação do que é o DR, porque é obrigatório, e quando e onde é necessário instalar.

Daí você, leitor, deve estar pensando, ora bolas Erica, administradores, compradores, vendedores e pessoas que não são da área elétrica, obviamente, não tem que saber sobre o que é o DR.

Bom, concordo com você. Mas o que me chama a atenção e me motivou a escrever esse artigo é que na maioria das vezes, o questionamento sobre o DR vem de pessoas da área elétrica.

Deixa contar mais alguns fatos, semana passada, fui naquelas lojas que vendem materiais elétricos, aqui no centro da minha cidade. Fui comprar um disjuntor DR. Não havia disjuntor DR disponível. Perguntei se tinha acabado porque havia muita procura, e a resposta que tive foi ao contrário, não tinha porque praticamente não havia procura.

Além disso, é muito comum visitar estabelecimentos comerciais, residenciais e industriais novos, com quadros que acabaram de ser instalados e imaginem só… Sem o DR nas áreas obrigatórias pela norma.

Esses fatos me levam a crer que apesar de o DR ser obrigatório pela ABNT NBR 5410 desde 1997 em determinadas áreas (sim faz 19 anos que é obrigatório!), ele ainda não foi incorporado na cultura dos profissionais em eletricidade.

Ele é um item essencial para garantir a segurança em eletricidade das pessoas e prevenir acidentes. Por que? Porque apesar de ele ser muito parecido esteticamente com o disjuntor comum, e também ser instalado no quadro elétrico, ele é muito mais sensível à fuga de corrente. E devido a essa sensibilidade, quando ocorre o contato acidental direto ou indireto em uma pessoa, causando o choque, o DR atua desligando o circuito imediatamente, antes que a corrente percorra o corpo da pessoa e cause danos.

Com isso, ele garante muito mais segurança contra choques elétricos que o disjuntor comum. E, por consequência, aquele acidente que poderia até mesmo causar uma vítima fatal, é evitado somente pelo uso do DR.

Tá, eu sei que devido a sua sensibilidade com pequenas fugas de corrente, ele desarma mais vezes que o disjuntor comum, e nem sempre o eletricista ou o responsável de manutenção gosta de ficar “perdendo tempo” detectando onde está a fuga de corrente. Mas de fato, achada a fuga de corrente e resolvido o problema, você consegue até reduzir a conta de energia do estabelecimento. Viu, que vantagem?  E além do mais, quando o assunto é segurança, é o que sempre digo, prevenção é sempre o melhor investimento.

E qual a sua experiência com o DR? Na sua região ele também é desconhecido? Conte pra nós.

Até a próxima,

* Erica C. M. Ortiz é engenheira eletricista, com mestrado em Engenharia de produção pela UFSCAR. Tem 12 anos de experiência em empresas de grande e médio porte.

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