Contratando o papel…

Escrito por abracopel 8 de maio de 2018 0 comentários visto 435 vezes

 

Estamos na era do documento assinado, mas que na prática só serve para a gaveta.

Edson Martinho

 

Recentemente, fui a reunião de uma empresa que administra um órgão público para participar de uma licitação de adequação do SPDA. Durante a reunião o responsável informou de todas as necessidades para participar, documentação necessária, procedimentos de trabalho etc., dizendo que era uma exigência e que estavam se preocupando com a segurança de todos. Ao sair do prédio, me deparo, na recepção, onde várias pessoas esperavam, com duas pessoas em uma escada de cerca de 3 metros, trocando uma lâmpada, sem sequer um isolamento de área, quanto mais dispositivos de proteção adequados, já que estavam acima de 2 metros (NR-35).

Em outra situação, fui instalar um equipamento (analisador de qualidade da energia elétrica) em uma empresa na seguinte situação: o profissional autorizado da empresa instalaria os cabos e eu somente iria parametrizar o equipamento. Antes de realizar o serviço, me pediram uma lista infindável de documentos como eletroencefalograma, eletrocardiograma, mas também, curso de trabalho em altura, de trabalho em ambiente confinado, APR (Análise Preliminar de Risco), EPI´s que seria necessários para o trabalho, entre outros. Os documentos exigidos eram tantos que quase desisti, mas fui questionar o responsável pela área de segurança do trabalho e a resposta foi padrão “porque é um procedimento da empresa”. Então questionei sobre todas estas necessidades, inclusive como eu iria apresentar uma análise de riscos se não conhecia o local e, consequentemente, como eu definiria os EPI´s e EPC´s se não sabia quais os riscos. Após conversa, definimos exatamente o que era necessário e o que era dispensável.

Tenho observado que, na maioria das empresas, a contratação da segurança está mais em ter os documentos comprobatórios do que o conhecimento real do risco e como evitá-lo, ou seja, tem se contratado mais PAPEL do que profissionais. Já tive a oportunidade de escrever sobre o tema: ‘Curso básico previsto pela NR-10’ algumas vezes, e até falar dele em webinares e palestras, o que tenho visto também é que se contrata o “barato” e se preocupa mais com o certificado de participação, do que com a qualidade do curso. Poucas vezes fiquei sabendo de um profissional responsável pela segurança do trabalho de alguma empresa ter ido à um curso desta natureza para avaliar, e então contratar para seus funcionários. O máximo que se tem feito é verificar se o curso tem um responsável que “assina” os certificados, para, no caso de um sinistro, saber quem procurar ou apontar como responsável.

Estes são só alguns exemplos que tenho visto, mas podemos enumerar dezenas, ou centenas. Os profissionais de Segurança do Trabalho, que tem a responsabilidade da vida de seres humanos precisam ter mais dedicação à vida e não à burocracia.

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