EXPLICANDO AS MEDIÇÕES DE GASES NOS BUEIROS DO RJ

Escrito por Webmaster 3 de outubro de 2012 0 comentários visto 1397 vezes

Autor: Estellito Rangel Jr.
Data: 13/10/2011
Após centenas de eventos de fogo, fumaça e explosão em bueiros, foi emitido pela Prefeitura do Rio de Janeiro um Termo de Referência – documento de quatro páginas elaborado com a assessoria do CREA-RJ contendo as especificações técnicas para contratação, em caráter emergencial, de uma empresa para a “realização de monitoramento na rede de distribuição das concessionárias que utilizam o subsolo da Cidade do Rio de Janeiro, visando a detecção de possíveis riscos de acidentes”.

O Termo especificou que seriam feitas medições das concentrações de gases inflamáveis, O2, CO, e H2S nos “bueiros” (caixas de inspeção – CI e câmaras transformadoras – CT) – da concessionária Light, com explosímetros de leitura direta.
A utilização do explosímetro seria facilitada com a introdução da sonda do mesmo através de furos que já vinham sendo feitos pela concessionária nas tampas das CI, objetivando “proporcionar a liberação de eventuais gases presentes na galeria”.

O Termo estabeleceu também a medição de temperatura em equipamentos da concessionária com termovisor, para verificar a existência de temperaturas acima do recomendado nas instalações elétricas subterrâneas.

Como metas de produção, a Contratada deveria realizar diariamente 550 inspeções, das quais, no mínimo, seriam inspecionadas 50 CT. Semanalmente a meta estipulada foi um total de 2.500 CT e CI inspecionadas. Este é o escopo do serviço ora em curso pela empresa contratada pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

O explosímetro funciona pela ação catalítica de um filamento de platina aquecido pela passagem de corrente elétrica. O contato do gás com o filamento aquecido provoca uma reação que resulta na variação de sua resistência ôhmica, proporcional à concentração do gás.

O explosímetro vem calibrado de fábrica para um determinado gás de referência – o metano – de forma que se outros gases estiverem presentes no local será necessário efetuar uma correção na leitura, uma vez que o instrumento não identifica que gás está passando por ele. Desta forma, cabe ao usuário primeiramente conhecer que gás será medido para saber a correção que deverá ser aplicada à leitura.

Cabe ressaltar que a faixa de explosividade de um gás é influenciada pela concentração de oxigênio, de forma que estas avaliações devem ser feitas por profissionais que conheçam os conceitos físicos do que estão medindo e as limitações do instrumento utilizado.

Quando a leitura no explosímetro indica “80”, significa que o gás que passou pelo sensor apresenta uma concentração correspondente a 80 % do limite inferior de explosividade – LIE – do metano. Neste momento, se o gás presente no local for o metano, não há uma atmosfera explosiva, uma vez que o LIE não foi atingido.
Para concretizar uma explosão é necessária, além da concentração de gás maior que o LIE, a presença de uma fonte de ignição com energia suficiente, no mesmo momento, ou seja, dois eventos independentes. Portanto, se o explosímetro indicar “100” não significa “risco de explosão de 100 %” (até porque com tal risco a explosão já estaria ocorrendo). A avaliação deste risco depende da probabilidade da ocorrência simultânea destes dois eventos independentes. Esta avaliação não consta no Termo de Referência.

Portanto, está havendo um grave equívoco ao se divulgar os valores indicados pelo explosímetro como “risco de explosão”.

A presença de gases não é a única causa de explosões em bueiros. As medições ora realizadas permitem obter um retrato de como está nosso subsolo e novas medições serão necessárias para avaliar a evolução da ocorrência destas concentrações ao longo do tempo.

Para acabar com as explosões de bueiros, é necessário identificar as causas reais mediante perícias de engenharia, abrangentes, e a implantar medidas específicas para eliminar cada uma delas.

Estellito Rangel Jr. É Engenheiro Eletricista, diretor educacional da ABRACOPEL regional RJ e colaborador da ABRACOPEL

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