O IMEDIATISMO DAS COISAS E A PREGUIÇA DE PENSAR!

Escrito por abracopel 12 de Fevereiro de 2018 0 comentários visto 199 vezes

Eletricidade – Imprescindível, mas perigosa.

Edson Martinho

Recentemente recebi uma mensagem nas redes sociais sobre o anúncio da venda de bolo que dizia mais ou menos assim:

Atenção, a partir desta segunda-feira venderei bolo das 12h às 18h, quem tiver interesse entre em contato pelo meu fone (XX-XXXXXXX) ou me procure no pátio. As opções são: Bolo de fubá, coco e laranja, o valor é R$x,xx e o pagamento é em dinheiro, não aceito cartão”.

Em seguida o indivíduo recebe as seguintes perguntas:

“Quanto custa o bolo? Tem bolo de maçã? Posso retirar às 19hs? Posso pagar no cartão de crédito?”

Pois bem, por que eu comecei este artigo com este exemplo? Porque as pessoas não estão mais lendo! Textos longos e com explicações muito menos! Preferem perguntar e se passar por “desligados” (pensei em um monte de adjetivos, mas este é o menos politicamente incorreto). Falo isso com base no que vivencio diariamente.

Um exemplo para ilustrar, dentro do nosso setor, é sobre o aterramento separado, assunto que recentemente vi ser discutido em um grupo de rede social. Há alguns anos escrevi um artigo intitulado “aterramento separado ou exclusivo” e até participei de um webinar sobre o tema para explicar quando o aterramento é separado e quando não é. A pergunta que o moderador do grupo fazia era se o Aterramento da casa devia ou não ser ligado no aterramento da concessionária de energia? Alguns ‘nãos’ e outros ‘sims’, mas em um determinado momento um colega indicou o meu artigo, referenciando-o para explicar o SIM dele, mas o que se viu foi a continuidade de ‘nãos’ e ‘sims’, inclusive com justificativas de que “a norma não permite ou exige”.
Eu entrei na discussão, expliquei suscintamente sobre o assunto, pedi para os colegas que citaram norma me dizer em qual norma haviam se baseado. Naturalmente, e como esperado, ninguém me respondeu em que norma basearam seus comentários e continuaram a dar seus “palpites” sem ao menos ler os comentários dos demais.

Ainda neste tema de aterramento, assisti a um vídeo de mais um Youtuber, que dizia que iria explicar sobre aterramento com base na norma ABNT NBR5410:2004 e enfaticamente dizia: “não sou eu que digo é a norma que fala, minha informação é totalmente baseada na norma”. De fato, a explicação continha vários itens que estavam de acordo com a norma, mas daí ele pecou ao dizer que o aterramento tem que ser interligado na “haste” da casa e que a haste da casa devia ser ligada à haste da concessionária. Apesar da 5410 citar haste, ela não a apresenta como sistema de aterramento, mas sim como parte deste sistema.

O assunto vai longe, mas quis trazer este exemplo para ilustrar o artigo.

Esta situação me traz a uma questão: para que serve tanta informação se não as lemos. Outro exemplo que quero trazer neste artigo é sobre a NR-10. Este regulamento do Ministério do Trabalho já tem mais de 13 anos de publicação do texto atual; texto este que deveria revolucionar a segurança com eletricidade. Até certo ponto tivemos uma certa evolução, mas é exatamente pelo imediatismo e pela preguiça de ler e interpretar é que este conceito de “Gestão da Segurança com Eletricidade” ainda não está 100% implantado nas empresas e ambientes de trabalho. Podem até ler, mas não interpretam e não têm interesse, ‘querem a receita de bolo com todos os ingredientes na mão’. Um exemplo clássico é o tal do “Curso de Reciclagem” que diz claramente que deve ser realizado com carga horária e conteúdo programático de acordo com o motivo da necessidade de reciclagem.

10.8.8.3 A carga horária e o conteúdo programático dos treinamentos de reciclagem destinados ao atendimento das alíneas “a”, “b” e “c” do item 10.8.8.2 devem atender as necessidades da situação que o motivou.

Em resumo, se o motivo foi afastamento por mais de 3 meses, o conteúdo e carga horária deve ser adequado para que o funcionário tenha conhecimento das alterações e/ou faça uma revisão dos riscos a que está exposto. Se o motivo for troca de função, a mesma coisa e se repete em cada situação. Ou seja, o texto diz de forma técnica: FAÇA UMA ANÁLISE DA NECESSIDADE DE RECICLAGEM E CRIE UM CURSO PARA MITIGAR ESTA NECESSIDADE. Sendo assim, não haverá curso empacotado (feito por terceiros sem intervenção da empresa) que cumprirá o objetivo de reciclagem, porém o que mais se vê nas redes sociais e grupos de discussão é: ‘Quantas horas deve ter a reciclagem da NR-10?’. Pura preguiça de ler e interpretar.

O objetivo deste artigo foi trazer para discussão o tal do analfabetismo funcional, ou melhor, o imediatismo e a preguiça de pensar. Vivencio estas situações diariamente com parentes, amigos e conhecidos, além de ver isso em grupos e redes sociais. PENSEMOS!!!!!!!

Edson Martinho é Engenheiro Eletricista pela Universidade de Mogi das Cruzes, com pós graduação em Marketing e Docência do ensino superior, é fundador e Diretor Executivo da ABRACOPEL – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade, Consultor de empresas, palestrante, instrutor, colunista, coordenador da comissão de estudos 03.064-12 e participante da revisão da norma ABNT NBR5410/2004.

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