Um caso real de descaso

Escrito por abracopel 9 de março de 2013 0 comentários visto 1037 vezes

Por Edson Martinho

A história que irei contar aqui é real, e aconteceu comigo no meio do ano passado, porém, naturalmente por razões que não precisam ser esclarecidas, omitirei todos os nomes e informações referente aos personagens deste caso de descaso. O preocupante é que isto pode e acontece em muitas casas do dia a dia.

Fui solicitado por um amigo a indicar um BOM ELETRICISTA para um amigo do chefe dele, que estava com um problema em sua casa de alto padrão, recém-construída em um condomínio de alto luxo na grande São Paulo. O e-mail dizia mais ou menos assim. “Você não tem aí um bom eletricista, pois minha casa está desligando durante o dia. Já falei com o empreiteiro e ele disse que é fácil resolver, mas está sem tempo”. Prontamente, indiquei um profissional que além de colega, está sempre nos acompanhando nos eventos, que marcou com o tal cliente e foi lá resolver o problema.

Chegando na casa do cliente se deparou com uma casa de alto padrão, dois andares, jardim (iluminado), academia, área de lazer, piscina etc. Ao verificar o quadro para iniciar sua busca pelo problema, identificou que o mesmo possuía um único DR protegendo todos os circuitos do ambiente inferior da residência, que incluía o jardim e as áreas de lazer. Conhecendo o funcionamento do DR, o Eletricista suspeitou de que alguns dos circuitos acumulavam fuga de corrente excessiva e naturalmente acionavam o DR. Explicou o funcionamento do DR ao cliente, pediu licença para avaliar alguns pontos, e ao iniciar a verificação na instalação da iluminação do jardim constatou alguns possíveis pontos de fuga. A iluminação não possuía condutor de proteção (fio terra) e os eletrodutos enterrados (estavam mais para mangueiras) estavam cheios de água. Além disso, havia emendas dentro dos eletrodutos, o que é proibido. O profissional alertou novamente o cliente explicando que este era um ponto de fuga de corrente e que, provavelmente, ao separar os circuitos e solucionar os problemas apontados (falta de condutor de proteção e vedação dos eletrodutos) poderia resolver o problema por ele apontado, entretanto, ele afirmou que ainda poderia acontecer de outros pontos da instalação somar fugas de corrente excedendo o limite de atuação do DR fazendo com que atuasse. O cliente respondeu “faça a modificação e vamos ver”. Pois bem, o profissional eliminou a água, instalou o condutor de proteção, separou o circuito instalando as devidas proteções (Disjuntor e DR), reparou as emendas nas caixas de passagem, substituiu condutores e vedou os eletrodutos para não haver o risco de inundação. Apresentou o valor gasto, recebeu e foi embora. Dias depois, o cliente ligou novamente dizendo que o problema persistia, porém desta vez já irritado. O profissional esteve novamente na residência e desta vez não chegou a um acordo com o cliente que discutiu com ele. dizendo que ele “o eletricista” não sabia nada. Dias depois recebo um novo e-mail do colega replicando o e-mail do tal cliente que dizia mais ou menos assim. “O eletricista que você me indicou esteve aqui, quis me ensinar a teoria da relatividade de Einstein, me cobrou uma fortuna e não resolveu o problema”.

 

A teoria da relatividade á que o cliente se referia era o funcionamento do DR, que o profissional procurou explicar com suas palavras e conhecimento. A fortuna cobrada, foi em 80% valor gasto com condutores, dispositivos de proteção e a vedação dos “eletrodutos – mangueiras”.

O resultado deste assunto, não sei lhe informar com precisão, mas creio que o chefe do meu colega tenha dado uma boa lição de segurança no proprietário da casa.

Um outro caso aconteceu na semana do carnaval, quando fui visitar a casa de um colega, que está finalizando, com padrão médio alto, 3 suítes (todas com banheira), piscina, área de lazer e tudo que tem de direito e ao abrir o quadro de distribuição me deparei com um quadro bonito e só com disjuntores. Ao perguntar ao colega se havia outros quadros ele disse. “não é só este”.

O que podemos tirar destas histórias é que as grandes obras são construídas por leigos que se fazem de espertalhões e colocam as pessoas em risco, por outro lado, os clientes não se preocupam com a sua segurança, mas sim com a beleza.

Edson Martinho é Engenheiro Eletricista, consultor e Diretor Executivo da ABRACOPEL

Veja algumas fotos da instalação:

 

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