Ainda falando sobre a morte do rapaz eletrocutado no Carnaval

Escrito por abracopel 1 de Março de 2018 0 comentários visto 634 vezes

Por Meire Biudes Martinho

Sim, eu sei que esse assunto já rendeu bastante. Mas, para nós aqui da Abracopel, a morte do Lucas (rapaz eletrocutado em um poste durante o Carnaval de rua de São Paulo) é ainda mais emblemática quando recebemos notícias como essa: Garoto morre eletrocutado ao encostar em poste no sudoeste da Bahia. Uma criança de 5 anos, indo para a escola em um dia como qualquer outro. De mãos dadas com a avó, já próximo da escola, param para atravessar uma rua – o que você e eu fazemos todos os dias – e ao encostar a mãozinha no poste foi eletrocutado. A avó, que segurava sua mão, também recebeu a descarga e está internada. O pequeno (que não teve a identidade divulgada) faleceu ali mesmo.

Poste em que a criança tocou em Jequié

E porque essa notícia não chegou às grandes mídias, aos grandes noticiários, às grandes emissoras como aconteceu com o rapaz no Carnaval? Qual a diferença? Afinal, ambos: o menino e o Lucas, foram mortos pela mesma causa e em condições muito parecidas. Será que o fato da criança morar no interior da Bahia, enquanto o rapaz estava em uma das esquinas mais famosas de São Paulo faz alguma diferença? Ou quem sabe o fato de que estávamos em meio a maior festa brasileira, sinônimo de alegria, em que mortes chocantes ‘não combinam’ também seria um diferencial para uma ampla divulgação? Ou, e aí sim podemos chegar mais perto da realidade, o fato de que a morte do rapaz se desdobrou para questões políticas, envolvendo licitações suspeitas e acordos feitos ‘às escuras’? É, talvez seja por aí. Mas o fato é que o menino de 5 anos morreu no meio da rua somente porque encostou em um poste energizado.

E então seguimos para a interminável ladainha de acusações: de quem é a culpa por esta morte? Da prefeitura que administra os postes da cidade ou da distribuidora que fornece a energia para aquele poste? A distribuidora sempre aparece para dizer que sua responsabilidade é de que a energia chegue até aquele poste e que a prefeitura é a responsável pela instalação e manutenção do mesmo, o que é verdade. Mas, vamos concordar que o ‘buraco é mais embaixo’? Uma criança morreu, nada vai trazê-la de volta!

Somente em 2017 foram 58 mortes por choque elétrico em áreas urbanas, nesta categoria podemos colocar postes, grades – e também praças, largos etc. Destas 58 mortes, 03 foram com crianças de 0 a 10 anos. Se ampliarmos a faixa etária, teremos 05 mortes até 20 anos, 14 mortes até 30 anos, 18 mortes até 40 anos e 15 mortes acima de 40 anos.

Já passou da hora de olharmos para as questões envolvendo a segurança com eletricidade de forma mais séria e comprometida. Postes não podem eletrocutar pessoas e ponto! Se a responsabilidade é de Maria ou de João, não interessa. Importa é saber quão importante é esta questão. Não estamos falando de prejuízos, estamos falando de vidas sendo perdidas por ‘acidentes’ totalmente evitáveis.

Não é possível olharmos para a morte deste menino em Jequié, ou para a morte do Lucas em São Paulo e continuarmos impassíveis diante do descaso com que é tratada a segurança com eletricidade neste país.

Enfim, desculpem o desabafo, mas todos os dias eu levanto tentando retomar o ânimo para mais um dia de trabalho, buscando maneiras de levar até os profissionais e à sociedade em geral, informações de conscientização sobre os riscos que todos correm ao lidar com a eletricidade. E quando abro o computador e vejo uma notícia dessas, eu como mãe de um pequeno não consigo ficar calada. Vejam no infográfico elaborado pela Abracopel os números que rondam nossas crianças:

 

 

 

 

 

Se meu desabafo conseguir chegar até alguém que realmente tenha o poder em mãos para mudar, melhorar, nem que seja um pouquinho, essa situação, já terá valido a pena.

E vamos em frente!

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