Caçando Pokémons e arriscando sua vida!

Escrito por abracopel 17 de agosto de 2016 0 comentários visto 3272 vezes

Sei que vou parecer saudosista, mas bons tempos aqueles em que as crianças brincavam na rua e o maior perigo era se esfolar em uma ladeira com seu carrinho de rolimã. Hoje, os perigos são tantos e diversos que pais conscientes sentem-se perdidos. E nada está tão ruim que não pode piorar…

A bola da vez é o tal de Pokémon Go, um jogo de realidade aumentada para smartphones que usa seu GPS. Você joga andando pelo mundo real e caçando pequenos monstros virtuais, como o Pikachu, em lugares perto da localização do seu telefone e treinando-os para lutar uns contra os outros. O sucesso vem da mistura de jogo e realidade. Na tela do telefone você vê o mundo real, como na câmera do seu celular, mas habitado por monstrinho do Pokémon.

A origem

A franquia de mídia Pokémon nasceu em 1996, quando um japonês chamado Satoshi Tajiri, que não gostava de estudar e adorava passar o dia inteiro dentro dos antigos fliperamas resolveu se juntar a outro japonês que também não gostava de estudar (algo raro no Japão) e criaram um game para a Nintendo. Obviamente, o sucesso foi tão grande que os dois japoneses criaram sua própria empresa que hoje fatura bilhões de dólares em todo o mundo.

Mas não estou aqui para valorizar ainda mais o tal joguinho. Estou aqui para mostrar o perigo que ele representa. E nem vou entrar na polêmica de que usando seu GPS você dá a exata localização  onde você está, incluindo detalhes do interior da sua casa. Meio sinistro se você pensar que, neste mundo totalmente conectado, abrir seus dados pessoais para o mundo não é lá uma boa ideia, certo?

Estou falando do perigo de andar com um celular ou um tablet por aí – porque nunca se sabe onde os tais monstrinhos vão aparecer – e correr riscos absurdos como – o mais simples de todos: tropeçar e cair, e o mais fatal de todos: ser atropelado ou eletrocutado.

Relatos

Não pepokemon-go-dangernse que estou sendo neurótica. Vamos a alguns dados:

– Duas crianças no Rio Grande do Sul, caçando o tal monstrinho, entraram em um lago dentro de uma canoa e um deles morreu afogado. O menino sobrevivente disse que o amigo se jogou na água para pegar o monstrinho.

– Um jovem de 18 anos foi atropelado por um ônibus enquanto jogava Pokemón Go no celular, em Dourados, a 214 quilômetros de Campo Grande

– Três motoristas tiveram prejuízos por causa do jogo Pokémon Go, em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. Um deles estava dirigindo enquanto caçava os monstrinhos, quando perdeu o controle do veículo e bateu em outros dois carros que estavam estacionados.

1-yBD8tXsMpaQM-d1BXAu-yg– No Amazonas, a caçada a Pokémons terminou em assassinato. Uma mulher de 47 anos foi atingida por dois tiros durante uma festa, tudo porque três pessoas tiveram seus celulares roubados enquanto caçavam os monstrinhos por dois rapazes. Decidiram, então, buscar os responsáveis na festa em que a mulher estava. Ao chegar ao local, dispararam três tiros contra os presentes.

– No Missouri, Estados Unidos, um grupo de quatro adolescentes armados decidiu atacar jogadores e roubá-los enquanto jogavam. Para isso usaram a geolocalização essencial ao jogo para encontrar outros treinadores isolados.

– No País de Gales, um casal de jogadores foi assaltado enquanto jogava Pokémon GO. Os dois entraram em um parque isolado em busca de criaturas e foram assaltados e espancados.

– A polícia indonésia deteve um homem francês que entrou numa base militar enquanto perseguia pokémons. Romain Pierre, de 27 anos, ainda tentou fugir, mas acabou sendo apanhado.

– Um grupo de jovens foi à procura de pókemons em uma gruta do Reino Unido e perderam-se lá dentro, sendo necessário uma equipe de bombeiros para encontrá-los.

– O caos instalou-se no Central Park, em Nova Iorque, quando um Pokémon raro apareceu numa zona do parque junto à entrada. Um vídeo mostrou o momento em que várias pessoas saíram dos carros ou atravessaram rapidamente a rua para apanhar a criatura.

Não é novidade que os bandidos estão se aproveitando da distração dos jogadores de Pokémon Go para “caçar” alguns celulares. São inúmeros casos no Brasil, nos EUA e em Londres, por exemplo.

Pokémon Go e a Eletricidade

downloadEstes relatos você encontra em uma busca rápida no Google. Existem centenas delas. Os acidentes são os mais diversos, mas vamos focar em nossa área: se as pessoas são capazes de se arriscar a este nível para caçar um monstrinho virtual, imagine se ele aparecer dentro de uma subestação? Ou em cima de um poste? Bons tempos em que resgatar uma pipa enroscada na rede aérea era nosso maior problema.

As concessionárias de energia já estão em alerta e divulgando diversos materiais na imprensa sobre o perigo de jogar Pokemon Go próximo à instalações da rede elétrica, incluindo cabos, transformadores, subestações e torres de energia que  oferecem risco de choque elétrico, podendo levar à morte.

Os jogadores devem ter cuidado ainda com qualquer instalação da rede elétrica interna como disjuntores e quadro de energia de qualquer imóvel, como por exemplo, os centros de transformação e medição mais conhecidos como casas de força, responsáveis pela energia de prédios e condomínios. A recomendação é válida ainda para imóveis que possuem geradores de energia elétrica.

1644-10082016Fiz um levantamento nos dados de acidentes envolvendo eletricidade que a Abracopel realiza há quase 10 anos e busquei locais e situações em que um jogador ou caçador de Pokémons poderia estar. Dentro deste cenário foram: 35 mortes em cercas eletrificadas, 23 por contato em postes ou grades, 40 por fios partidos na rua, 6 por resgate de pipa, 85 por fio partido em ambiente interno, ou seja, dentro de casa. Só neste levantamento tivemos 189 mortes em ‘acidentes’ perfeitamente evitáveis. Imaginem com a ‘ajuda’ do Pokémon Go, o que esperar?

Então vamos combinar: se não existir alternativa e você quiser entrar nessa onda, tenha o máximo cuidado possível. Cair, tropeçar, se esfolar ainda tem solução. Ser eletrocutado e bem diferente.

 

* Meire Biudes Martinho é jornalista, gerente executiva e assessora de imprensa da Abracopel

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